quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Crônica | Buk, as galinhas e o despertador.


Abril. O sol matutino aquece a manhã de outono. Há algazarra de pássaros na mangueira enquanto as galinhas ciscam no jardim de girassóis. O mato verde circula a casa-de-sapê bem construída. Os detalhes na parede bem talhada a mão e o teto de palhas agasalhadas simetricamente evidencia o primor do trabalho artesanal aplicado na construção. Na sala de estar, sobre a mesa de imburana, alguns livros e frutas. Na parede há fotos de crianças sorridentes. Há redes e tucuns armados pelos cômodos.

Na cozinha, jogos de panelas dependurados, um fogão a lenha e inúmeros acessórios interioranos. O cheiro de café sai porta a fora e invade o quintal onde dois seres humanos se entreolham: ela troca o adubo da horta de hortaliças enquanto ele, de livro em mãos, declama Vinícius: “que seja eterno enquanto dure…” a voz arrastada ecoa no vazio do quintal ao encontro dela que ri, maliciosamente. Ela devolve a gentileza com um olhar de candura.

Os rostos enrugados e os cabelos grisalhos de ambos, meios aos sorrisos e olhares, se complementam, já algumas décadas, deveras. Detalhes…

A paz é quebrada quando Buk, o cão serelepe, chega correndo com insistentes latidos atrás das galinhas por entre os canteiros. O casal observa a cena. Depois de inúteis intervenções, eles juntos gargalham das traquinagens de Buk.

Trim lim lim trim…” o som do despertador me acorda. Mais um devaneio. Mais um sonho! Um dia de trabalho na selva de concreto está a minha espera. Levanto-me.


SILVA, Marcello. 2017
Image: Reprodução da obra de Everaldo Romano

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Poema | Velas & Flores.


Entre túmulos mataram a saudade
No epitáfio das paixões avassaladoras,
Antes que morra o amor-menino, prematuro,
Assassinaram a nostalgia a golpes quentes de beijos e abraços.

Descansam ali, amantes dos vagos tempos de outrora
Na lápide desbotada, o resumo de quem foram:
Ninguém, senão poetas!

Viveram na brevidade do eterno por alguns minutos
O que não basta para saciar o desejo de possuir a infinitude
Do abraço do outro. Não basta!

Velas. Flores. Crucifixos. Sepulturas.
Que os mortos perdoem os invasores,
Pois os vivos, certamente, não perdoarão.

Pater noster, qui es in caelis: Sanctificétur nomen tuum.



SILVA, Marcello. 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Poema de Marcello Silva é escolhido para livro em homenagem a Patativa do Assaré


O poema "Canção da Liberdade" do autor Marcello Silva foi um dos textos escolhidos no "1° Prêmio Literário Patativa do Assaré". Os textos selecionados comporão um livro em homenagem ao poeta cearense, conforme o item 6 do edital: "Será publicado, pela Educadora, um livro com os trinta poemas que obtiverem a mais alta pontuação, tendo, o respectivo autor, direito a receber cinco exemplares gratuitamente"

O concurso fez parte da segunda edição da FLI7 - "Festa Literária 7 de Setembro" que ocorreu entre os dias 27 e 30 de setembro em Fortaleza/CE.. A FLI7 consiste em uma programação literária e cultural que inclui conferências e debates com escritores locais e nacionais, painéis e oficinas para o público infantil, juvenil e adulto, shows, exposições e apresentações artísticas. A organização do concurso e do evento é da "Educadora 7 de Setembro" e realização Centro Universitário 7 de Setembro e Colégio 7 de Setembro.

O lançamento da obra ocorrerá em dia e local a serem posteriormente informados.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Poema | Sicrano




SICRANO
Vasculho - me
Reviro - me
Reinvento - me
Me anexo ao subtendido dos silêncios uivantes

Peregrino sem rima
Deserto afora
Com sede de metáforas 
Saara do Silva
De carona com as miragens eloquentes 
Me invado... Evado - me

Cadê a lâmpada mágica? 
Eu serei o meu gênio? 
Brincarei de criador 
Profano 
Mera criatura reinventada
Reinventando...


SILVA, Marcello. O Pescador. Chiado Editora, 2015. Pag. 14 
Foto: Grupo Versania 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

"Livro Versania" é lançado em Parnaíba/PI


Poetas do Versania - "Versanianos"

Foi lançado ontem (05/09) em Parnaíba a Coletânea Poética "Versania". O evento ocorreu no auditório do Sesc Avenida e contou com a participação de escritores, jornalistas, autoridades e comunidade em geral. Segundo os organizadores, mais de 300 pessoas estiveram presentes.


O evento iniciou as 19:30 h com Jefferson Portugal e Joyce Cleide interpretando a música "Eu Canto" de Fagner com letra do poema de Cecília Meireles. Posteriormente, houve o recital protagonizado pelos poetas escritores da obra.

Em sequência, discursou o Jornalista e ativista cultural Arlindo Leão mencionando a importância, para comunidade parnaibana, do Jornal "O Piagui", sendo este impresso a base para a idealização da obra Versania; e representando, a Academia Parnaibana de Letras, discursou a acadêmica e escritora Dilma Pontes que apresentou "Versania" aos presentes com ênfase e sapiência. Claucio Ciarlini, organizador da obra, discursou em nome dos autores, agradecendo a todos que colaboraram com projeto.

Ao término dos agradecimento, os autores versanianos fizeram uma surpresa ao idealizador do projeto, Claucio Ciarlini, o presenteando com um quadro com referências artística a Versania feito pelo artista Frank Cunha. Posteriormente, houve coquetel e sessão de autografo com os autores no pátio do Sesc. 

Sobre Versania:

A obra é organizada pelo professor Claucio Ciarlini editor do Jornal O Piaguí Culturalista. Este ano O Piaguí completa dez anos de circulação e a Coletânea faz parte das comemorações deste feito. Dentre os poetas, tem a presença do escritor chavalense Marcello Silva autor do livro O Pescador lançado em 2015. Além de Marcello Silva, o livro também tem as poesias de: Alciomar Neto, Alexandre César, Carlos Pontes, Carvalho Filho, Daltro Paiva, Emanuel Carvalho, Fernandez Rocha, Fernando, Filipe Cavalcante, Jailson Jr. (nosso colunista) Jaqueline Silva, Jefferson Portugal, Joyce Cleide, Junior Gualberto, Leonardo Rodrigues, Luana Silva, Morgana Sales, Gustavo Rosal, Rafael Oliveira, Sousa Filho, Tiago Fontenele e Zilmar. Diagramação de Fábio Bezerra e organização de Claucio Cialini.



Dilma Pontes - Escritora e Jornalista

Claucio Ciarlini - Editor do OPiagui e organizador de Versania


Arlindo Leão - Jornalista  e ativista cultural

Fotos: Cinefoto JJ
Mais sobre a obra (AQUI)

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Poeta Pescador - Luana Silva

Ao poeta pescador 

Pés descalços,
arranhões expostos,
pernas, corpo e rosto.

Sob o sol do meio dia,
queima minha tez, já escurecida da lida, da dureza da vida.

Mas insisto e permaneço, perseverar é o meu preço a pagar.

Pelo pão de cada dia, para que nunca venha a faltar um bocado de pão na boca daqueles a quem tenho que criar.

Dias vem, 
Dias tem,
Dias não.

Mas não desânimo não,
sob a bênção de Deus, 
sigo minha missão.

Nas águas do riacho, me encontro em solidão.
A espera do bom tempo, para ter a almejada provisão.

Dias vem,
Dias vão.

Na lida permaneço, 
aguentando os dias escassos,
na fé dos dias bons.

Pela alegria ou pela dor, regido por meu senhor.

Sou poeta, sou pescador.

Texto de Luana Silva

terça-feira, 18 de julho de 2017

Autor Marcello Silva participará da Coletânea Poética "VERSANIA"


Vem aí, Versania! Um livro escrito a 24 mãos. A obra é organizada pelo professor Claucio Ciarlini editor do Jornal O Piaguí Culturalista de Parnaíba/PI. Este ano O Piaguí completa dez anos de circulação e a Coletânea faz parte das comemorações deste feito. Dentre os poetas, tem a presença do escritor chavalense Marcello Silva autor do livro O Pescador lançado em 2015. Além de Marcello Silva, o livro também terá as poesias de: Alciomar Neto, Alexandre César, Carlos Pontes, Carvalho Filho, Daltro Paiva, Emanuel Carvalho, Fernandez Rocha, Fernando, Filipe Cavalcante, Jailson Jr. Jaqueline Silva, Jefferson Portugal, Joyce Cleide, Junior Gualberto, Leonardo Rodrigues, Luana Silva, Morgana Sales, Gustavo Rosal, Rafael Oliveira, Sousa Filho, Tiago Fontenele e Zilmar. Diagramação de Fábio Bezerra e organização de Claucio Cialini.

No editorial da edição 117 do O Piagui do mês de julho o editor Claucio apresentou a obra "Versania" aos leitores. Confira na íntegra:

"Outubro de 2008! O Piaguí estava às portas de seu primeiro aniversário, quando este humilde editor que aqui vos tecla teve a ideia de lançar uma coletânea de poesias que aproveitasse os escritores revelados desde a primeira edição deste impresso cultural. Doze até aquele momento.

E o pensamento não se limitava apenas a uma obra poética, mas se trataria de uma série bianual de livros em que cada volume, uma escolha textual seria privilegiada: poesia, crônica, conto, artigo... Na ocasião, cheguei a compartilhar com meu primo e companheiro de edição e lutas em prol da cultura Daniel C. B. Ciarlini e com o amigo e diagramador Fabio Bezerra. Porém algumas escolhas, percalços e impossibilidades financeiras foram adiando este sonho. E com o passar do tempo, o projeto foi guardado na gaveta, enquanto a vida seguiu, como sempre ela faz, enquanto se tenta acompanha-la. Porém o sonho... Esse, nunca deixou de me perturbar.

Os anos foram passando, e vários outros sensíveis foram emergindo ou ganhando espaço, fosse no quadro Estreando, ou no Novíssimos Poetas e até mesmo no quadro poeta pelo poeta.

E eis que em meados do ano passado, depois de retornar para edição do jornal, aquele antigo desejo, que por quase uma década sussurrava em minha mente, começou a gritar mais alto e em insistente som, me alertando, me pressionando a dizer que já passava da hora de finalmente pôr em prática essa empreitada, e devido a isso fui atrás de vários poetas que participaram destas modestas páginas e o resultado é uma obra plural e inundada de sentimentos, que está em sua reta final de construção, e que você, estimado leitor, poderá ter mãos muito em breve. Versania, título sugerido por Fernando de Oliveira (um dos componentes deste grupo versaniano) e democraticamente escolhido pela maioria, é fruto de um sonho, que só se tornou possível através da união de 24 almas, reforçando a velha, porém jamais esquecida, máxima de Raul: 'Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só... Mas sonho que se sonha junto é realidade'."

Claucio Ciarlini

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Entrevista do Autor Marcello Silva ao 4º FLAL (Festival de Literatura e Artes Literária)

1 - Luana Karoliny - Você sente mais emoção ao escrever qual gênero?

Marcello Silva – Gosto de todos. A Poesia é o que mais causa emoção. O Conto e a Crônica também me causa arrepios na alma..rs 

2 - Fer Lima - Você escreve para vender ou para satisfazer seus desejos de autor?

Marcello – A princípio, para revelar o belo, transmitir ideias, opiniões e emoções. Escrevo para eternizar instantes. Com o tempo aprendemos a identificar os anseios do público leitor e passamos a produzir para vender também.

3 - FLAL Festival de Literatura e Artes Literárias - Para você, por que é tão difícil publicar e divulgar seu trabalho? O que deve ser feito para mudar a maneira de agir das editoras com os escritores?

Marcello – No Brasil é muito complicado, desde o pouco interesse do brasileiro por livros até a forma mercantil que as editoras atuam. Enfim é bem complexo. As editoras teriam que ver o escritor com mais atenção. O escritor é muito mais que uma simples mercadoria.

4 - Vivy Keury - Como consegue compartilhar o tempo escasso que tem no dia-a-dia, entre as tarefas pessoais e a escrita?

Marcello – É bem complicado. Trabalho em horário comercial em um escritório de contabilidade e tenho ainda a faculdade. Escrever virou um válvula de escape(rsrs) sempre dou um jeito de escrever algo entre as horas...

5 - Armando Muniz Filho - As editoras prezam o nível cultural para melhoria do intelecto ou apenas uma forma de comercio? 

Marcello – Muitas delas estão visando só o lucro e estão esquecendo o “nível cultural”. Mas há exceção, felizmente.

6 - Natali Felix - Como você organiza seu processo criativo: decide o que vai ser escrito e por onde começar e quais serão as fases?

Marcello – Quando surge uma idéia de um texto, eu escrevo logo a idéia geral. Depois vou acrescentando conteúdo. Reescrevo. Reescrevo. 

7 - FLAL Festival de Literatura e Artes Literárias - Quais suas metas daqui para frente? Alguma outra história em andamento?

Marcello – Depois que publiquei meu livro O Pescador (Poesia) estou trabalhando em meu primeiro livro de Contos com enfoque regional. Pretendo publicar em breve este livro sobre contos.

8 - Paula Lessa - O que uma crítica significa para o seu trabalho?

Marcello – Tudo. Se construtiva, eu analiso até certo ponto. Se negativa, extraio o lado bom e ignoro o restante. É de suma importância ouvir o leitor e identificar nossos erros e aprimorar nossa arte.

9 - Armando Muniz Filho - Sua poesia (literatura) aborda temas nacionais, culturais, raciais, e grita pela desigualdade, ou apenas segue passivo sem se intrometer nestes assuntos?

Marcello – Aborda diversos temas. Apesar do enfoque regional. Minha literatura é, também, uma crítica social, cultural etc. Escrevo para expor minhas idéias, opiniões e emoções transcritas em metáforas...

10 - Luana Karoliny - Pesquisas afirmam que uma grande parte dos brasileiros leem 4 livros por ano, o que um escritor pensa sobre isso?

Marcello – Muito pouco. Precisamos contribuir para aumento nesta estatística. Precisamos incentivar nossos familiares e amigos a lerem. E, através da nossa arte literária, incentivar o MUNDO.


Mais informações (AQUI)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Crônica | Primeiro Porre de Amor.


O primeiro amor é tão tentador quanto o primeiro gole de álcool, bem como, pode ser arriscado e doloroso. Crescemos e ficamos suscetíveis cada vez mais a este mal traquino.

O primeiro amor é gole desavisado. Enchemos a cara de um amor eterno e único. Que porre! Em seguidas doses secamos a garrafa de rum. Que leveza! O coração, taquicárdico, flutua. Ligamos o wifi e enchemos nossas redes sociais de declarações e vômitos poéticos. Que porre!

Parece não existir mundo ou vida antes e depois daquele instante. É o agora infinito resumido naquele gole de amor. Beija-me com o beijo de tua boca porque é melhor teu amor do que o vinho 

Tantas adegas para serem conhecidas. Tantos sorrisos, abraços... Afagos. Quantas infinitudes iguais a estas se farão nessas mesas de am(b)ar? Quantos porres de amores ainda teremos?

Maldita ressaca, a primeira. Parece o fim do mundo a primeira desilusão de amor. Se for para doer tanto assim, nunca mais bebo disto. Que porre!

Doce engano de se enganar outras vezes. Mais uma vez, outras garrafas de amores. Desce mais uma. Anota aí, seu Zé. Hoje estou para essa ‘droga’ de amar.



1 Cânticos 1:2


COPYRIGHT © 2017 MARCELLO SILVA

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Crônica | Último Gole

Na praça do centro, monótono no fervilhar de pessoas que vem e vão a lugares diversos, um homem sentado no banco central, em estado avançado de embriaguez, destampa uma garrafa e toma mais um gole de um coquetel alcoólico. É março e o cheiro de álcool divide espaço com o cheiro de chuva.

O sujeito toma seu gole e acena para o vazio como se pedisse a alguém que viesse ao seu encontro. Poderia ser eu ali, sentado com toda insanidade da minha lucidez, afogado na loucura da sobriedade, acenando para meus monstros cotidianos e invisíveis.

Não. Não posso me aproximar do “sujeito homem” embriagado, tenho medo de me reconhecer nele. Sua dor pode ser a minha, seus medos podem ser os meus... Pode ser eu que esteja ali, vestido de desilusões e egos vazios, sedento por um gole de álcool que alivie meu cansaço de sóbrio.

Ele chora, bate no tórax como se quisesse arrancar algo do lado esquerdo do peito: sua dor, talvez. Mais um gole desce pela garganta ébria como uma espada afiada que aumenta o sangramento e a dor. Enquanto pessoas passam alheias àquele universo conflitante contido naquele banco central da praça, me compadeço daquela figura humana cuja face me lembra o reflexo do meu espelho. 

Ele se levanta, toma seu último gole e sai cambaleante a um destino desconhecido.  


COPYRIGHT © 2017 MARCELLO SILVA


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Crônica | Um latino-americano - Jailson Jr.


Ontem eu encontrei o velho Quincas, o jardineiro que trabalhara em minha casa quando morei em Pedro Juan Caballero. Bebia meu chá-mate em um conhecido café de Montevidéu, e meu espanhol nunca me deu problemas. Falou dos cinco anos que não via Belchior, o velho latino americano de quem éramos amigos. Falamos dele, de como fazia a poesia com amor. Todo mundo conhecia aquele poeta famigerado, bastava ouvir ou ler algo dele. Lembro da nossa última conversa, do último aperto de mão. Andava angustiado, mas feliz por voltar à velha Sobral para uma visitinha, lá o encontrei. Mostrou-me os versos de algo inédito, ainda faltava a melodia, segundo ele, mas eu sabia que aquilo estaria longe de ser um problema. 

Foi uma tarde toda, misterioso e certeiro. Voltei para casa, já sabendo que seria nossa conversa derradeira. Não era fácil vê-lo. Ele era assim. Algum compositor baiano lhe disse que tudo era divino, tudo era maravilhoso, e ele acreditou. Denomino-o assim: divino e maravilhoso. Andava com canções do rádio gravadas à ferro e fogo no inconsciente, que sempre cantava quando não havia o que dizer, o que era raro. 

Aquele velho amigo era o mais existencial dos homens, devo dizer, depois de Sartre. Todos que conheço sabiam de algum verso dele, e isso sempre encheu meus pulmões de orgulho. Agora por último eu não o via mais, nem mesmo pela televisão. Respeitava seu espaço. Suave e intenso. Naquele mesmo dia do café com o Quincas, fiz alguns versos durante o voo de volta ao Brasil. Soube da partida do meu velho amigo por uma televisão do aeroporto, quando voltei. Só consegui chorar dentro do táxi, enquanto a paisagem nua ia passando pela janela que estava embaçada por uma garoa antecessora, com Paralelas na minha sonoplastia mental. Se medisse as palavras e não quisesse agredir ninguém, não seria ele. Autenticidade e brandura não combinavam na pessoa dele. 

Não irei no velório de meu amigo, seria demais. Melhor assim. Deixo-o em seus versos sangrantes, que mal detinham o sentimentalismo, quando o fazia. Essa é a última lembrança que quero levar. Basta que eu escute seus versos sem o pudor em controlar o volume, que valerá por trocentas outras conversas, ele ressuscitará por uns seis minutos, voltará de onde estiver. Foi como quis ir, recluso, ensimesmado. Muitos não sabem, mas ele queria assim, era feliz assim. E sabe, Copacabana? Essa semana o mar é ele. Aquele bigode largo e livre fará falta, mas fazer da vida uma poesia reproduzida será das artes a mais humana. Como foi perversa a juventude do meu coração. Acho que agora abriram o sinal, e a juventude dele se libertou. Sempre.

Mais sobre o amigo autor Jailson Jr. (AQUI)

Poema | Morre tardinha, morre.


O dia morre lento
No morro ali atrás
É levado leve pelo vento
E sugado cada vez mais

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

As mulheres passam vazias
Numa ligeira passagem
Cheias de confusões e melancolias
Como doces e alegres miragens

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Passou Florine, passou
Cheia de charme e melodia
Cantou uma música, cantou
E deixou meu coração numa euforia

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Passaram Camilas sorridentes
Como lindos anjos perdidos
Passaram Marias inocentes
De olhares sem sentidos

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Ficam as ilusões alheias
Guardadas no meu armário
A trade é fria e feia
E o dia necessário

Morre tardinha, morre
No morro ali atrás
E vem ninar em meus braços
Vem. Vem cada vez mais.


COPYRIGHT © 2017 MARCELLO SILVA

sábado, 29 de abril de 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Escritor Marcello Silva participa do 4º Festival de Literatura e Artes Literárias.


Agora em abril de 2017, o escritor chavalense Marcello Silva, autor do livro "O Pescador", participa da quarta edição do FESTIVAL DE LITERATURA E ARTES LITERÁRIAS, ou FLAL (Arte e Estilo), com a participação de 165 autores distribuídos em 220 vagas de bate-papos e entrevistas. O evento é online e iniciou em 1 º de abril e tem a duração de 10 semanas. O público poderá conversar e fazer perguntas em dias e horários específicos para cada um deles. A bate-papo com Marcello Silva será dia 22/04/2017 ás 18h50min. e a entrevista será entre os dias 10 e 11 de maio às 14 h.




Sobre o 4 º FLAL (Arte e Estilo)

O evento totalmente online, grátis e será separado por temáticas. Terá concurso de textos, entrevistas, Quiz literário e debates. Com atividades de interação, brindes, prêmios, dentre outros

O evento é organizado por uma equipe de 10 pessoas em trabalho voluntários: Luiz Amato, Ironi Jaeger, Nell Morato, Daniela Garcia, Elizabeth Machado, Luana Karoliny, Nanci Penna, Lizi Reis, Natali Felix e Roberta de Souza 


Conheça o FLAL - Festival de Literatura e Artes Literárias, em sua 4° Edição - Arte e Estilo na página do evento.

Participe!

https://www.facebook.com/events/1882855601936542/?active_tab=discussion

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mil Faces (As mulheres que não vi)



Quantas mulheres se escondem em uma só?
Quantos gritos resumidos, em um único gemido?


Mulheres que não vi
Escondidas sob uma única pele
Detrás de dois olhos apenas.
Quantas personalidades, jeitos, andares,
Olhares… Num único corpo.


Quantas faces!


Amar sob pressão do ódio
Odiar por tanto amar tanto
No entanto
Nunca amar.


Dentro de uma bela reside uma fera
Uma cinderela, branca de neve
Pequena sereia…
Ainda que astutas, também adormecidas


Quantas personagens sem nome!
Quantas vozes caladas!
Quantos caminhos não percorridos,


Roteiros incertos!


Quantas faces!


Quantas utopias esquecidas,
Amores roubados.
Quantas mulheres morrem
Dentro de uma única, sem terem sido, sequer notadas?

SILVA, Marcello. O Pescador. 1ª ed. Chiado Editora, 2015.
Ilustração: Frank Carneiro.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Os 5 principais prêmios literários do Brasil


Os prêmios podem ser considerados uma retribuição em dinheiro ou objeto de valor, por serviço prestado, uma recompensa ou remuneração. Mas também é uma distinção conferida a alguém que se destaca por méritos, feitos ou trabalhos.

No mundo literário prêmios foram criados para estimular a escrita criativa e valorizar os melhores livros e autores. Nem sempre de forma justa aos olhos dos concorrentes mas, na maioria, as premiações refletem os trabalhos relevantes de um determinado período ou ano, e um corpo de jurados trata, com imparcialidade, das avaliações dos inscritos.

Preparamos uma lista dos principais prêmios nacionais previstos para 2017, para que você possa já se preparar. E, mesmo para aqueles que ainda não publicaram sua obra, ainda dá tempo. Lembrando que as datas e prazos não são fixas, podendo ser alteradas e que não há também garantia de continuidade (exemplo do Prêmio Portugal Telecom, substituído em 2015 pelo Prêmio Oceanos).

Prêmio Sesc de Literatura | Promovido pelo Serviço Social do Comércio, premia anualmente obras inéditas nas categorias Conto e Romance, destinadas ao público adulto, escritas em língua portuguesa, por autores brasileiros ou estrangeiros, residentes no Brasil.

Prêmio São Paulo de Literatura | Criado em 2008 pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo difunde e valoriza a leitura. Seleciona anualmente os melhores livros de ficção, no gênero romance, escritos em língua portuguesa, originalmente editados e publicados no Brasil no ano anterior.

Prêmio Oceanos | A partir de 2015 o Prêmio Portugal Telecom de Literatura foi cancelado pelos antigos patrocinadores, passando a ser chamado de Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa (hoje patrocinado pelo Itaú Cultural). A premiação é focada nas obras de poesia, prosa e crônicas em língua portuguesa.

Prêmio Jabuti | Conhecido como o “oscar” da Literatura, o Jabuti (organizado pela Câmara Brasileira do Livro) lançará a sua 60ª edição e é, sem dúvida, o mais tradicional e antigo prêmio literário brasileiro, desde a sua primeira edição em 1959.

Prêmio Fundação Biblioteca Nacional | Também é anual e premia autores, tradutores e projetistas gráficos brasileiros em nove categorias: poesia, romance, conto, ensaio social, ensaio literário, tradução, projeto gráfico, literatura infantil e literatura juvenil.

Os prêmios literários são uma ótima oportunidade para divulgar a literatura, os temas pertinentes, conhecer novos escritores e obras. E para você, que sabe que tem um bom trabalho em mãos, “Mãos à Obra!”

Fonte: Blog do Editor. Link (AQUI)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não se esqueçam da Rosa



Não se esqueça da rosa
Não a “rosa viniciana”; não a rosa do jardim Botânico
Não a rosa do Parque Ibirapuera nem tampouco a rosa do Éden,
Mas a rosa que nasceu em teu quintal
Entre a cerca caída e o muro mal rebocado sob
Entulhos e lixos jogados.

Não se esqueça da rosa,
Plácida, incolor e insípida
O que importa sua cor ou seu cheiro?
Necessário é entender o porquê de seu nascer repentino.

Não se esqueça da rosa
Que com ela trouxe esperança , sentido novo,
Caminho diferente para que tu agora siga
Retilíneo a tua vitória.

SILVA, Marcello. 2017

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Crônica | Preso o maior assassino de “corrente de internet”


Foi preso na manhã desta quarta-feira, na região central da cidade, José Otariano Verídico mais conhecido como “Zé Delete”. Sobre o dito-cujo, recaem inúmeras acusações: segundo a polícia local, são mais de cem assassinatos de “correntes da web” só este ano. Estivemos na delegacia e fizemos uma entrevista exclusiva com Zé Delete. Confira a conversa na íntegra:

Reportagem: Segundo o delegado, você é acusado de assassinar “correntes na internet”, procede?

Zé Delete: Sim, senhor! Sou eu mesmo. Sou bicho ruim.

Reportagem: Como começou essa vida de assassino? A primeira vez que você deletou uma corrente de internet ?

ZD: Faz tempo, senhor! Comecei no e-mail. Todo dia recebia e repassava. Teve um dia que o meu ‘PC’ “deu pau” e não repassei o e-mail que era sobre um cara que tinha caído no tanque da fábrica da coca-cola e tinha ficado todo corroído. Enfim, aquilo me deu náuseas.

Reportagem: E o que aconteceu a partir daí?

ZD: Fiquei apreensivo por não avisar os amigos. Andei pensativo pela cidade. Entrei no primeiro bar e bebi  um porre de coca-cola. Não aconteceu nada. Me senti  livre e desde então virei vida louca. Deleto tudo... Não repasso...

Reportagem: Continue Sr. Verídico...

ZD: Verídico é o c@r@lh*, meu nome é Zé Delete...

Reportagem:  Ok , ok... Continue.

ZD: Pois é... Comecei a matar as correntes. Matei aquela da agulha contaminada no cinema com vírus da AIDS... Aquela outra para salvar as baleias do Atlântico... Sem remorsos.

Reportagem: Mas você passou do e-mail para as redes sociais, não é isso?

ZD: Sim, sim. Foi quando apareceu o Orkut. Não divulguei a comunidade da campanha em prol da operação urgente da Silvinha que só tinha dois meses de vida, etc. Depois veio o Facebook e aí aumentou os assassinatos. Já sei que vou pro inferno por não “curtir”, “compartilhar” e nem comentei “amém” na postagem de uma foto que tinha Jesus  e outro moço de chifres. Preferi “só olha” e “ignora”. Também não compartilhei a imagem de uma garotinha que possuía “lapitospira’ que a cada compartilhamento, o Facebook doaria 10 centavos à família da criança... Enfim, são tantas correntes delatadas e ignoradas.

Reportagem: Mas seus índices de assassinatos aumentaram agora com o surgimento do Whatsapp, correto?

ZD: É verdade. Com o avanço da tecnologia aumentou também o número de idiotas que repassam. Fazer o que né?! Só aumenta minha ficha criminal (risos)

Reportagem: Lembra algum assassinato de corrente pelo WhatsApp?

ZD: Com certeza, senhor! São vários né... Tem aquela da capivara maconheira; do “hoje é o dia nacional da admiro você” que tinha que compartilhar com 20 amigos; o da batalha dos anjos contra as forças do mal que é pra compartilhar com 15 amigos pra forças do bem vencer;  tem aquela que compartilhando, a bateria do celular iria carregar automaticamente ou ganharia créditos da operadoras de telefonia... Tem a Buda sorridente para receber dinheiro... Enfim.

Reportagem: E como vai ser para sair dessa...?

ZD: Sou Zé Delete, tio. Vou sair daqui e vou voltar “pro corre”. Deletar, ignorar, deletar... Nasci pra isso...

Nota: Ao final da reportagem o delegado responsável nos informou que a situação de Zé Delete é grave, entretanto, a defesa já havia entrado com pedido de habeas corpus  e ele, provavelmente, aguardará o julgamento em liberdade. Enquanto isso nossa sociedade de alienados estará a mercê  de uma fora da lei de alta periculosidade (sapiência) como Zé Delete. Não podemos deixar isto acontecer. Sendo assim, curta, comente e compartilhe esse post até chegar às autoridade competentes. A cada curtida será doado 10 reais para pagar advogado de acusação de Zé Delete. Não se esqueça de digitar “Amém”.



SILVA, Marcello. 2016

P.S.: "esta é uma obra de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade"

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Biografia | Marcello Silva


Marcello Silva é bacharel em Contabilidade (UFPI)


Estudante de Direito (UESPI).


Autor do livro de poesias "O Pescador"(Chiado Editora).


Participou do projeto literário “Enredado”(Editora Vidráguas).


Editor dos blog: Chavalzada