quarta-feira, 21 de junho de 2017

Crônica | Primeiro Porre de Amor.


O primeiro amor é tão tentador quanto o primeiro gole de álcool, bem como, pode ser arriscado e doloroso. Crescemos e ficamos suscetíveis cada vez mais a este mal traquino.

O primeiro amor é gole desavisado. Enchemos a cara de um amor eterno e único. Que porre! Em seguidas doses secamos a garrafa de rum. Que leveza! O coração, taquicárdico, flutua. Ligamos o wifi e enchemos nossas redes sociais de declarações e vômitos poéticos. Que porre!

Parece não existir mundo ou vida antes e depois daquele instante. É o agora infinito resumido naquele gole de amor. Beija-me com o beijo de tua boca porque é melhor teu amor do que o vinho 

Tantas adegas para serem conhecidas. Tantos sorrisos, abraços... Afagos. Quantas infinitudes iguais a estas se farão nessas mesas de am(b)ar? Quantos porres de amores ainda teremos?

Maldita ressaca, a primeira. Parece o fim do mundo a primeira desilusão de amor. Se for para doer tanto assim, nunca mais bebo disto. Que porre!

Doce engano de se enganar outras vezes. Mais uma vez, outras garrafas de amores. Desce mais uma. Anota aí, seu Zé. Hoje estou para essa ‘droga’ de amar.



1 Cânticos 1:2


COPYRIGHT © 2017 MARCELLO SILVA

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Crônica | Último Gole

Na praça do centro, monótono no fervilhar de pessoas que vem e vão a lugares diversos, um homem sentado no banco central, em estado avançado de embriaguez, destampa uma garrafa e toma mais um gole de um coquetel alcoólico. É março e o cheiro de álcool divide espaço com o cheiro de chuva.

O sujeito toma seu gole e acena para o vazio como se pedisse a alguém que viesse ao seu encontro. Poderia ser eu ali, sentado com toda insanidade da minha lucidez, afogado na loucura da sobriedade, acenando para meus monstros cotidianos e invisíveis.

Não. Não posso me aproximar do “sujeito homem” embriagado, tenho medo de me reconhecer nele. Sua dor pode ser a minha, seus medos podem ser os meus... Pode ser eu que esteja ali, vestido de desilusões e egos vazios, sedento por um gole de álcool que alivie meu cansaço de sóbrio.

Ele chora, bate no tórax como se quisesse arrancar algo do lado esquerdo do peito: sua dor, talvez. Mais um gole desce pela garganta ébria como uma espada afiada que aumenta o sangramento e a dor. Enquanto pessoas passam alheias àquele universo conflitante contido naquele banco central da praça, me compadeço daquela figura humana cuja face me lembra o reflexo do meu espelho. 

Ele se levanta, toma seu último gole e sai cambaleante a um destino desconhecido.  


COPYRIGHT © 2017 MARCELLO SILVA


quinta-feira, 25 de maio de 2017

Crônica | Um latino-americano - Jailson Jr.


Ontem eu encontrei o velho Quincas, o jardineiro que trabalhara em minha casa quando morei em Pedro Juan Caballero. Bebia meu chá-mate em um conhecido café de Montevidéu, e meu espanhol nunca me deu problemas. Falou dos cinco anos que não via Belchior, o velho latino americano de quem éramos amigos. Falamos dele, de como fazia a poesia com amor. Todo mundo conhecia aquele poeta famigerado, bastava ouvir ou ler algo dele. Lembro da nossa última conversa, do último aperto de mão. Andava angustiado, mas feliz por voltar à velha Sobral para uma visitinha, lá o encontrei. Mostrou-me os versos de algo inédito, ainda faltava a melodia, segundo ele, mas eu sabia que aquilo estaria longe de ser um problema. 

Foi uma tarde toda, misterioso e certeiro. Voltei para casa, já sabendo que seria nossa conversa derradeira. Não era fácil vê-lo. Ele era assim. Algum compositor baiano lhe disse que tudo era divino, tudo era maravilhoso, e ele acreditou. Denomino-o assim: divino e maravilhoso. Andava com canções do rádio gravadas à ferro e fogo no inconsciente, que sempre cantava quando não havia o que dizer, o que era raro. 

Aquele velho amigo era o mais existencial dos homens, devo dizer, depois de Sartre. Todos que conheço sabiam de algum verso dele, e isso sempre encheu meus pulmões de orgulho. Agora por último eu não o via mais, nem mesmo pela televisão. Respeitava seu espaço. Suave e intenso. Naquele mesmo dia do café com o Quincas, fiz alguns versos durante o voo de volta ao Brasil. Soube da partida do meu velho amigo por uma televisão do aeroporto, quando voltei. Só consegui chorar dentro do táxi, enquanto a paisagem nua ia passando pela janela que estava embaçada por uma garoa antecessora, com Paralelas na minha sonoplastia mental. Se medisse as palavras e não quisesse agredir ninguém, não seria ele. Autenticidade e brandura não combinavam na pessoa dele. 

Não irei no velório de meu amigo, seria demais. Melhor assim. Deixo-o em seus versos sangrantes, que mal detinham o sentimentalismo, quando o fazia. Essa é a última lembrança que quero levar. Basta que eu escute seus versos sem o pudor em controlar o volume, que valerá por trocentas outras conversas, ele ressuscitará por uns seis minutos, voltará de onde estiver. Foi como quis ir, recluso, ensimesmado. Muitos não sabem, mas ele queria assim, era feliz assim. E sabe, Copacabana? Essa semana o mar é ele. Aquele bigode largo e livre fará falta, mas fazer da vida uma poesia reproduzida será das artes a mais humana. Como foi perversa a juventude do meu coração. Acho que agora abriram o sinal, e a juventude dele se libertou. Sempre.

Mais sobre o amigo autor Jailson Jr. (AQUI)

Poema | Morre tardinha, morre.


O dia morre lento
No morro ali atrás
É levado leve pelo vento
E sugado cada vez mais

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

As mulheres passam vazias
Numa ligeira passagem
Cheias de confusões e melancolias
Como doces e alegres miragens

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Passou Florine, passou
Cheia de charme e melodia
Cantou uma música, cantou
E deixou meu coração numa euforia

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Passaram Camilas sorridentes
Como lindos anjos perdidos
Passaram Marias inocentes
De olhares sem sentidos

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Ficam as ilusões alheias
Guardadas no meu armário
A trade é fria e feia
E o dia necessário

Morre tardinha, morre
No morro ali atrás
E vem ninar em meus braços
Vem. Vem cada vez mais.


COPYRIGHT © 2017 MARCELLO SILVA

sábado, 29 de abril de 2017

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Escritor Marcello Silva participa do 4º Festival de Literatura e Artes Literárias.


Agora em abril de 2017, o escritor chavalense Marcello Silva, autor do livro "O Pescador", participa da quarta edição do FESTIVAL DE LITERATURA E ARTES LITERÁRIAS, ou FLAL (Arte e Estilo), com a participação de 165 autores distribuídos em 220 vagas de bate-papos e entrevistas. O evento é online e iniciou em 1 º de abril e tem a duração de 10 semanas. O público poderá conversar e fazer perguntas em dias e horários específicos para cada um deles. A bate-papo com Marcello Silva será dia 22/04/2017 ás 18h50min. e a entrevista será entre os dias 10 e 11 de maio às 14 h.




Sobre o 4 º FLAL (Arte e Estilo)

O evento totalmente online, grátis e será separado por temáticas. Terá concurso de textos, entrevistas, Quiz literário e debates. Com atividades de interação, brindes, prêmios, dentre outros

O evento é organizado por uma equipe de 10 pessoas em trabalho voluntários: Luiz Amato, Ironi Jaeger, Nell Morato, Daniela Garcia, Elizabeth Machado, Luana Karoliny, Nanci Penna, Lizi Reis, Natali Felix e Roberta de Souza 


Conheça o FLAL - Festival de Literatura e Artes Literárias, em sua 4° Edição - Arte e Estilo na página do evento.

Participe!

https://www.facebook.com/events/1882855601936542/?active_tab=discussion

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mil Faces (As mulheres que não vi)



Quantas mulheres se escondem em uma só?
Quantos gritos resumidos, em um único gemido?


Mulheres que não vi
Escondidas sob uma única pele
Detrás de dois olhos apenas.
Quantas personalidades, jeitos, andares,
Olhares… Num único corpo.


Quantas faces!


Amar sob pressão do ódio
Odiar por tanto amar tanto
No entanto
Nunca amar.


Dentro de uma bela reside uma fera
Uma cinderela, branca de neve
Pequena sereia…
Ainda que astutas, também adormecidas


Quantas personagens sem nome!
Quantas vozes caladas!
Quantos caminhos não percorridos,


Roteiros incertos!


Quantas faces!


Quantas utopias esquecidas,
Amores roubados.
Quantas mulheres morrem
Dentro de uma única, sem terem sido, sequer notadas?

SILVA, Marcello. O Pescador. 1ª ed. Chiado Editora, 2015.
Ilustração: Frank Carneiro.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não se esqueçam da Rosa



Não se esqueça da rosa
Não a “rosa viniciana”; não a rosa do jardim Botânico
Não a rosa do Parque Ibirapuera nem tampouco a rosa do Éden,
Mas a rosa que nasceu em teu quintal
Entre a cerca caída e o muro mal rebocado sob
Entulhos e lixos jogados.

Não se esqueça da rosa,
Plácida, incolor e insípida
O que importa sua cor ou seu cheiro?
Necessário é entender o porquê de seu nascer repentino.

Não se esqueça da rosa
Que com ela trouxe esperança , sentido novo,
Caminho diferente para que tu agora siga
Retilíneo a tua vitória.

SILVA, Marcello. 2017

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Crônica | Preso o maior assassino de “corrente de internet”


Foi preso na manhã desta quarta-feira, na região central da cidade, José Otariano Verídico mais conhecido como “Zé Delete”. Sobre o dito-cujo, recaem inúmeras acusações: segundo a polícia local, são mais de cem assassinatos de “correntes da web” só este ano. Estivemos na delegacia e fizemos uma entrevista exclusiva com Zé Delete. Confira a conversa na íntegra:

Reportagem: Segundo o delegado, você é acusado de assassinar “correntes na internet”, procede?

Zé Delete: Sim, senhor! Sou eu mesmo. Sou bicho ruim.

Reportagem: Como começou essa vida de assassino? A primeira vez que você deletou uma corrente de internet ?

ZD: Faz tempo, senhor! Comecei no e-mail. Todo dia recebia e repassava. Teve um dia que o meu ‘PC’ “deu pau” e não repassei o e-mail que era sobre um cara que tinha caído no tanque da fábrica da coca-cola e tinha ficado todo corroído. Enfim, aquilo me deu náuseas.

Reportagem: E o que aconteceu a partir daí?

ZD: Fiquei apreensivo por não avisar os amigos. Andei pensativo pela cidade. Entrei no primeiro bar e bebi  um porre de coca-cola. Não aconteceu nada. Me senti  livre e desde então virei vida louca. Deleto tudo... Não repasso...

Reportagem: Continue Sr. Verídico...

ZD: Verídico é o c@r@lh*, meu nome é Zé Delete...

Reportagem:  Ok , ok... Continue.

ZD: Pois é... Comecei a matar as correntes. Matei aquela da agulha contaminada no cinema com vírus da AIDS... Aquela outra para salvar as baleias do Atlântico... Sem remorsos.

Reportagem: Mas você passou do e-mail para as redes sociais, não é isso?

ZD: Sim, sim. Foi quando apareceu o Orkut. Não divulguei a comunidade da campanha em prol da operação urgente da Silvinha que só tinha dois meses de vida, etc. Depois veio o Facebook e aí aumentou os assassinatos. Já sei que vou pro inferno por não “curtir”, “compartilhar” e nem comentei “amém” na postagem de uma foto que tinha Jesus  e outro moço de chifres. Preferi “só olha” e “ignora”. Também não compartilhei a imagem de uma garotinha que possuía “lapitospira’ que a cada compartilhamento, o Facebook doaria 10 centavos à família da criança... Enfim, são tantas correntes delatadas e ignoradas.

Reportagem: Mas seus índices de assassinatos aumentaram agora com o surgimento do Whatsapp, correto?

ZD: É verdade. Com o avanço da tecnologia aumentou também o número de idiotas que repassam. Fazer o que né?! Só aumenta minha ficha criminal (risos)

Reportagem: Lembra algum assassinato de corrente pelo WhatsApp?

ZD: Com certeza, senhor! São vários né... Tem aquela da capivara maconheira; do “hoje é o dia nacional da admiro você” que tinha que compartilhar com 20 amigos; o da batalha dos anjos contra as forças do mal que é pra compartilhar com 15 amigos pra forças do bem vencer;  tem aquela que compartilhando, a bateria do celular iria carregar automaticamente ou ganharia créditos da operadoras de telefonia... Tem a Buda sorridente para receber dinheiro... Enfim.

Reportagem: E como vai ser para sair dessa...?

ZD: Sou Zé Delete, tio. Vou sair daqui e vou voltar “pro corre”. Deletar, ignorar, deletar... Nasci pra isso...

Nota: Ao final da reportagem o delegado responsável nos informou que a situação de Zé Delete é grave, entretanto, a defesa já havia entrado com pedido de habeas corpus  e ele, provavelmente, aguardará o julgamento em liberdade. Enquanto isso nossa sociedade de alienados estará a mercê  de uma fora da lei de alta periculosidade (sapiência) como Zé Delete. Não podemos deixar isto acontecer. Sendo assim, curta, comente e compartilhe esse post até chegar às autoridade competentes. A cada curtida será doado 10 reais para pagar advogado de acusação de Zé Delete. Não se esqueça de digitar “Amém”.



SILVA, Marcello. 2016

P.S.: "esta é uma obra de ficção baseada na livre criação artística e sem compromisso com a realidade"

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Biografia | Marcello Silva


Marcello Silva é bacharel em Contabilidade (UFPI)


Estudante de Direito (UESPI).


Autor do livro de poesias "O Pescador"(Chiado Editora).


Participou do projeto literário “Enredado”(Editora Vidráguas).


Editor dos blog: Chavalzada

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Cordel à Chaval - Ilha de Pedra



SIMPLESMENTE CHAVAL


Surgida no acaso dos anos
A princesinha do litoral
Posta entre rios e marés
Cidade da pedra e do sal 
Eis a irreverente e ilustre 
Eis a pequena Chaval. 


A origem do seu nome é um enigma 
Mistério que ninguém desvenda 
Uns dizem que é devido ás chaves 
Achadas que se tornou lenda
Outros afirmam ser palavra francesa 
Que traduzindo quer dizer fazenda


Ao final do século dezenove 
Chegaram os primeiros povoadores 
Vindo de Ibuassú toda família 
Carneiro Cunha e servidores 
Sendo de Chaval, portanto 
Os primeiros moradores 


Descendente dessa mesma família 
Veio da cidade o fundador 
José Carneiro da Cunha 
De título chamado Monsenhor 
Homem de fé em bons princípios 
Que mostrou a nossa gente seu valor 


Mil novecentos e cinquenta e um 
Se deu sua emancipação
Em vinte e dois de novembro
Politicamente sua “libertação” 
Francisco Thieres Carneiro 
O primeiro prefeito na ocasião 


Geograficamente está situada 
Ao extremo norte do Ceará
Tendo Luis Correia a oeste 
A leste Barroquinha lá está 
Ao sul o município de Granja 
Ao norte as águas calmas do mar. 


São mais de *doze mil habitantes 
Segundo o último censo populacional 
**Duzentos e trinta quilômetros quadrados 
É a sua extensão territorial 
***Quatrocentos e vinte mil metros 
Distante de nossa capital 


São mais de vinte localidades 
Ao longo de sua extensão 
Distrito é só Passagem dos Vaz 
Porém, tem Carneiro, Jatobá, Poção 
Vereda, Pau D’arco, Retiro, Malhada D’areia 
Nova Olinda, Mucambo, São Paulo, Japão... 


Pontos turísticos aqui existem 
São bonitos por natureza 
Tem o Caldeirão, Pedra da Santa 
Açude Itaúna com sua profundeza 
Tem os postos da Missa e do Mosquito 
Da ****Carnaúba a vista é uma beleza 


Sua cultura resiste ao tempo 
Ela é rica e diversificada 
Temos lendas, comidas típicas 
Festas juninas e vaquejadas 
Dançamos capoeira, bumba meu boi. 
A tradição, assim é preservada. 


Tens um povo de muita fé 
Variadas religiões para adorar 
Têm católicos e evangélicos 
Terreiro de Ogum e Iemanjá 
Tem umbanda e espiritismo 
E alguns Testemunhos de Jeová. 


Sua vegetação é basicamente 
A caatinga e manguezais 
Clima quente, alto grau 
Muito calor por aqui faz 
Quando inverno a coisa muda 
Chove que não para mais 


A economia gira em torno 
Da agricultura e extração de sal 
Também atacado e varejo 
Pecuária e pesca artesanal 
Ainda temos em complemento 
Feira livre, comercio informal. 


Eis, portanto, Chaval 
Em evolução e crescimento 
Sendo beijada pelas marés 
Ao passar contínuo do tempo 
Sustenta grande esperança 
Em busca do desenvolvimento.


OBS:
* - 12. 617 habitante
** - 238 km2 de extensão
*** - 425 km de Fortaleza
**** - Pedra da Carnaúba com 100 m de altura



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Crônica | Dona Birica


(à Vó Birica)

“Ah meu filho, estou muito cansada...” é a frase dela mais usual, ultimamente, depois de ter “criado” doze filhos, além de cinco outros que morreram antes de completar um ano de idade. E ainda ajudou a matriarca dos Araújos a ‘criar’ o seus.
Seu nome é Maria, igual a tantas outras ‘Marias da Conceição’. O Silva é o detalhe que a torna de aço. Ela casou aos quinze anos, ficou viúva aos sessenta e em sua vida, incorporou uma heroína digna dos melhores roteiros hollywoodianos.
Hoje, aos 83 anos, 12 filhos, 37 netos e 48 bisnetos, ela contempla o silencio enquanto espera a água ferver para seu café mágico. Cansada e dolorida, mas, inquieta. Levanta ás cinco horas da manhã para seus afazeres domésticos. Por vez, desconfio que não seja humana: como pode tal bravura?
Seu corpo, de que matéria é constituído? Cada cabelo branco e cada ruga em seu rosto é uma página da vida, uma lição aprendida, cuja experiência foi preciso cravar na pele para que outrem, ao observar, também aprenda que a vida, para ter sentido, é preciso ser construída de desafios, batalhas e obstáculos quase intransponíveis.
De tudo, o que mais admiro é seu silencio que me cortam as metáforas... Aquele olhar para o vazio que esconde mistérios que jamais decifrarei. Não sei o que pensa. Se sente saudades de ontem ou se sonha com o amanhã.
Enquanto isso, o café já está pronto e ele tem gosto de flores e cheiro de fadas. Acho que, um pouco da sua essência, escapa em tudo que ela faz.


SILVA, Marcello. O Pescador. Chiado Editora, 2015. 102 p.

P.S.: Dona Birica faleceu último dia 09 (Novembro de 2016)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Poema | Superlua


Imagem: Sergei Grits/ AP



Tocou-me uma lua cheia
Quando eu, inebriado de amor,
No Porto das Canoas adormecia.

O que mais deseja um homem apaixonado,
Senão uma 'superlua' cheia?
Eu no discurso derradeiro calo-me.
Posto entre amigos e inimigos observo-os.
Se carrego em mim dez segredo grudados à Pele
Escondo-os sob a intensa melanina...

'Lua chavalense' que aqueceu a alma amante,
Por um instante, do meu triste poema .

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Celebrando Drummond no Colégio Dez em Parnaíba/PI



Os poetas Marcello Silva, Jailson Júnior e Claucio Ciarlini estiveram reunidos ontem (31/10) no Colégio Dez, em Parnaíba/PI, para falar de literatura em alusão ao Dia Nacional da Poesia e também, para homenagear Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas da nossa literatura.

Os poetas foram recepcionado pela professora Rossana Carvalho que os apresentou aos alunos. Muito entusiasmo e alegria marcou o encontro de gerações em torna da poética 'drummoniana'

Os autores começaram declamando um texto de autoria do escritor e editor Claucio Ciarlini.

Depois de uma breve apresentações de cada autor, foram declamados textos em homenagem a Drummond. Posteriormente, foi aberto espaço aos alunos. Pasmem! cada composição poética mais bela que a outra. Talento. Os alunos que se arriscaram a ler suas poesias autorais, simplesmente arrasaram! 

E finalizando o encontro, os poetas alternaram em estrofes de um poema sobre esperança. Esperança é o que move a poesia, a arte e o mundo.
Os alunos participantes ganharam brindes de livros e exemplares do O Piagui Culturalista.

Viva a poesia. Viva Carlos Drummond de Andrade!

Continuemos homenageando esse grande mestre Baixe o material gratuitamente e esparrame homenagens a DRUMMOND >>>
https://drive.google.com/…/fol…/0B0uX2NVWuWdRZUt2OUVfWUtfWVk






























Fotos: Jailson Júnior e Rossana Carvalho

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Mais sobre o Conto "O Lobisomem de Santa Cecília"


O conto "O Lobisomem de Santa Cecília" é uma narrativa leve e retilínea. Narra uma história de um lobisomem baseada na lenda com alguns traços verídicos que ocorreu na região da zona rural de Chaval/CE. 



No conto, Manoel Redondo é um andarilho que carrega a fama de se transformar em lobisomem em noite de lua cheia. Quando ele chega a Fazenda Santa Cecília, começa a acontecer a história narrada. A Fazenda é de propriedade de Coronel Inácio de Pinho que é casado com Dolores Nogueira, mulher religiosa. Dolores não gosta da chegada de Manoel à fazenda por um motivo....

Quer ler, gratuitamente,  o conto completo?


Então preencha nosso formulário de contato ( lado direito no blog ==>>>>>) manifestando esse interesse.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Nosso texto no "Declame para Drummond 2016"

O poema "Louco" do nosso autor Marcello Silva fará parte do Projeto 'Declame para Drummond 2016" que visa homenagear o poeta Carlos Drummond de Andrade.



O projeto de circulação de poesia autoral mais democrático e criativo do Brasil, Declame para Drummond, vai ganhar as ruas do Brasil no mês de outubro de 2016 em celebração aos 114 anos do poeta maior, Carlos Drummond de Andrade. Iniciado em 2010 sob a coordenação da poetisa e ativista lírica Marina Mara, mais de 300 poetas já participaram do Declame para Drummond e tiveram importante projeção na cena literária, principalmente em suas cidades, nas quais estamparam jornais, autografaram poemas. Este ano 162 poetas se inscreveram e terão seus poemas espalhados pelo meio do caminho desse vasto mundo que é nosso país. (Baixe gratuitamente o material AQUI)

domingo, 23 de outubro de 2016

Provocações | A simplicidade de te amar nos instantes cotidianos.

                                                    
  A Sophia Alves

Ela prende o cabelo com a habilidade de uma Joana D'Arc brandando uma espada. Pega o cesto de roupa. Separa as peças com olhos atentos e caminha á lavanderia com passos apressados, jogando suas ancas de um lado para o outro, como se dançasse ao som do silêncio.


Na lavanderia, exposta ao sol primaveril, ela põe as roupas sobre a pedra de mármore e começa seu trabalho. Joga água sobre as peças e sobre seu corpo, deixando marcadas suas curvas debaixo de sua roupa. Sua blusa amarela, levemente levantada, evidencia que está sem sutiã. Seu short preto, curto demasiado, é a própria feição do pecado. Cantarola algo, deve ser alguma música de Taylor Swift .

Seu movimento de braços, no manuseio do sabão sobre as peças, deixam seus seios leves e flutuantes, inundados de suor e água. Neste instante, ela figura-se na mais mística das criaturas. Minha 'donzela de Orléans'. Dandara das matas silvestres...

A amo infinitamente, por este instante e sempre. 


SILVA, Marcello.
Foto: Taylor Swift no clipe de 'Wildest dreams' (Divulgação)

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Nosso autor Marcello Silva é acadêmico fundador da AMCL - Academia Mundial de Cultura e Literatura


Nosso autor Marcello Silva, foi convidado pelo Escritor Djalma Pinheiro para compor a AMCL - Academia Mundial De Cultura E Literatura. E entidade é uma forma de aglutinar, neste novo mundo da internet, todos os artistas e também os amantes da arte em todas as suas formas. As atividades da Academia foram iniciadas dia em 22 de agosto de 2016. 

Compõe-se a Academia de trinta e cinco Membros Titulares de cadeiras numeradas que serão os escritores, poetas e poetisas., membros honorários artistas de todas as áreas de atuação artística ou cidadãos amantes das artes, membros beneméritos e membros correspondentes. Os Acadêmicos são dos diversos Estados do Brasil, além da participação de membros europeus e africanos. 


Marcello Silva ocupa a cadeira de número 29 tendo como Patrono o poeta cearense Patativa do Assaré.