quarta-feira, 10 de abril de 2019

Cavaleiro Medieval



Eu, cavaleiro medieval. 

Vindo de terras distantes 

Além das matas que se findam ao alcance dos olhos meus 

Perdi-me nos templos antigos 

Em meios a esculturas esbeltas 

Dos deuses, ninfas e anjos solitários. 

Procuro-me todo dia 

Reviro-me ao avesso 

Não me encontro 

Estou repousado na sombra da historia 

Ainda não estudada... 

Nos braços de Vênus me apazíguo e vivo... 


SILVA, Marcello. O Pescador. pag 16, Chiado Editora, 2015
Imagem: Google

terça-feira, 9 de abril de 2019

Conheça a Plataforma "Escrever sem Fronteiras" do Sesc/PI e publique seus textos.


A Plataforma Escrever sem Fronteiras é uma proposta do SESC Piauí de promover a produção literária do estado por meio do fomento e valorização de escritores, sejam eles cronistas, poetas, romancistas, ou até mesmo os que escrevem textos de cunho científico, como artigos, editorias, resenhas; desde que tenham como tema a Literatura.

Como participar?

Os interessados poderão enviar seus textos para o email:
escreversemfronteiras@pi.sesc.com.br

Os materiais enviados passarão por uma seleção realizada por especialistas contratados pelo próprio SESC. Serão emitidas declarações para os escritores, que poderão ainda estar sendo convidados pelo SESC para realizarem bate-papos, rodas de leitura e debate ou até mesmo palestras a partir de suas publicações.

Quais textos podem ser enviados?

Quaisquer um, desde que tenham como tema a literatura ou façam parte da grande gama dos gêneros literários existentes, como: conto; poema; crônica; romance; fábula; Epopeia; Novela; Ensaio; Soneto; Auto; Farsa; entre outros.

Normas Gerais

Caso o escritor tenha seu texto selecionado, deverá ir ao Centro Cultural Sesc Caixeiral (Parnaíba – PI) a fim de que possa assinar a Ficha de Autorização para Publicação;
Caso o escritor more em outro estado, a ficha poderá ser preenchida a próprio punho e enviada por meio de scanner ao mesmo e-mail para o qual o texto foi encaminhando;
No caso dos Artigos Científicos, o número de páginas são 10(dez);

Todo texto encaminhado, seja ele de qual gênero literário for, deve seguir o modelo em anexo no site.




Não deixe de se inscrever!
Dúvidas? (86) 3315 – 8561


domingo, 10 de março de 2019

Uma criança de 80 anos

Foto: Hermeson Oliveira
Ele estranhou aquelas pessoas diferentes chegando na pracinha do bairro pacato. Pessoas comunicativas e jovens com equipamentos tão estranhos. Ele observou de longe a priori. De acordo com o avançar da hora em que os jovens ligavam seus equipamentos, ele se aproximava da praça com seus passos curtos. Sempre cauteloso e observador, sentou no último banco de concreto.

Aquela pracinha tão esquecida, pequenina quase sem vida com seus sólidos cinzentos, agora uma grande imagem era projeta e a meninada chegava aos montes, esbaforida com suas curiosidades nos olhos inquietos.

− O que é isso tia, o que é... É um filme é? − Perguntou um dos meninos.

− Sim, sim é um filme muito massa, espere um pouco e já vai começar − respondeu uma das organizadoras com voz angelical.

Ele, no entanto, permanecia observando aquelas cenas, em silêncio, estranhando deveras, aquele movimento, aquela grande imagem projetada... aquele som sendo testado. Permaneceu ali. 

Agora a praça já vibrava aos sons das crianças. Meninos e meninas de todo o bairro parecia estar ali querendo saber o que se passava. Tudo pronto e o filme iria começar. As crianças se acalmaram sentando em tapetes, mantas e colchas no chão. Ele aproximou mais um pouco. Em seguida mais um pouco e ficou entre as crianças. Observou a projeção e seus olhos fixaram na imagem numa mistura de curiosidade e encanto. 

Ele devia ter entre 70 e 80 anos de idade. Tinha os passos curtos, porém rápidos. Ele vestia uma bermuda preta e uma camisa azul aberta e sobre sua cabeça um boné que lhe cobria os olhos pequenos. Ficou ali imóvel observando as cenas do filme animado. No seu tempo de criança, numa cidade interiorana e sem energia elétrica, certamente não tinha uma TV sequer e agora ele tinha aquela tela enorme e aqueles bichos falantes no seu colo. Naquele instante ele era apenas mais uma criança dentre as demais.

A exibição do filme “Zootopia – Essa cidade é o bicho” já estava quase na metade quando de repente ele se levanta, ajeita o boné e sai rápido da praça. Adentrou aquela rua com a penumbra das luzes fracas. Cinco minutos depois ele retorna segurando a mão de uma criança, sua neta, provavelmente. Sentou no mesmo lugar e apontou para projeção dizendo algo ao ouvido da neta. Ela riu. Eles riram. Eram duas crianças embriagada na animação. Dividiram a pipoca e o suco no seu cinema particular e a céu aberto. Ele era uma criança, sem estilingue; Era o rei de Zootopia.... Como dizia o subtítulo do filme: “aqui você pode ser o que quiser”.



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Filhos da maré

@malusantos
Ainda é noite e Chaval dorme em seu silêncio secular de pedra. Daqui a pouco a maré sobe e é preciso pegar carona com ela para buscar o sustento entre os mangues ao alto mar. Maria do Rosário foi a primeira que acordou e preparou o quebra-jejum. O Galo assustou-se, limpou o bico no orvalho da cerca e cantou, dando início a uma orquestra de cantos galináceo no Bairro do Porto da Missa. A maré vinha logo ali, cheirando a brisa da madrugada.

Antônio Ubiratã pulou da rede e correu para quintal, acendeu sua lamparina e procurou seu carro-de-mão onde agasalhou seus apetrechos: tarrafas, linhas, remos, motor, bornais, etc. A canoa já o aguardava, valsando nas águas calma do Porto.

50 anos de pescador e Ubiratã ainda teme a maré. Respeita cada palma de água. Aprendeu no bailar das ondas, o próprio significado de sua existência. Que o homem é apenas um fio na grande teia da natureza. Um dia tem peixe, outro não. Um dia a maré está calma, no outro você come sal pelo nariz. Aprendeu a respeitar os ciclos das marés e entender as fases da lua e, a partir disto, entender que a vida imita esses vai-e-vem de coisas e pessoas.

Desta vez, a maré demorou mais do que o previsto. Lambeu os beiços das calçadas baixas da rua. O sol já vem surgindo e Ubiratã enche sua canoa com seus equipamentos, comidas e sonhos. Serão quase dois dias nas marés, arranchado nos mangues, pescando peixe entre pernilongos sedentos por suor. Na Canoa, além dos equipamentos, ele leva esperança e deixa na margem um pouco de saudade. Rosário acena para o marido que vai sumindo entre os manguezais. “Que Iemanjá te proteja” diz ela em silêncio, ajeitando a saia e voltando aos seus afazeres doméstico. 

SILVA, Marcello. 2019

Aos Heróis de Minas

Foto: Corpo de Bombeiros de Minas Gerais /reprodução
Enquanto as montanhas sagram lamas pelos poros, vomitando desesperança pelo vale, outrora verde, homens vestindo coragem desafiam o próprio limite do corpo e da mente na tentativa de amenizar tamanha dor e desilusão neste pedaço de Minas.

Desde do cão Thor, policiais, civis voluntários e bombeiros, principalmente. Esses últimos que não têm rosto e nem nome. Vestem marrons e rastejam sobre a lama a procura de um sopro de vida, quando não, por um corpo apenas que amenize a dor de uma família. Heróis cansáveis com suas máscaras contra o mau cheiro. Eles choram de exaustão e dor diante da imensidão de lama; diante do corpo humano desfigurado pela cobiça; diante do seu salário parcelado em três vezes e seu 13º ainda sem previsão. 

Esses heróis machucados e que sangram, mas esquecem sua própria dor em prol da dor de outrem, diante do cenário desolador. Heróis sem HQ e sem aplausos que tem sede de água e de justiça. Heróis que se reconhecem na face enlameadas do seu próximo entre os galhos. Heróis que vibram com o aceno de um resgatado, seja ele um homem ou um cão. Heróis que amam a vida em sua mais ampla definição. Nem mil medalhas serão suficientes para recompensar teus esforços nesses últimos dias e dos dias que ainda virão.

Bombeiros de Minas, Maranhão, São Paulo, Rio... Em Brumadinho se tornam uma única corporação: Heróis de Minas e eles vestem a esperança de um país que ainda mantém a fé em acreditar em dias melhores.

SILVA, Marcello. 2019

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Livro Homo Cactus é tema de artigo científico apresentado no Congresso Nordestino de Educação


O pesquisador, professor e escritor Antonio José Sales, de Luis Correia/PI, apresentou, no último dia 25 de janeiro, seu trabalho científico no Congresso Nordestino de Educação (CONED) que foi realizado em Parnaíba/PI. O trabalho de Antônio José Sales, tem por base o livro Homo Cactus (Editora Hope, 2018) do escritor chavalense, Marcello Silva. A apresentação ocorreu ás 11h na sala Raquel de Queiroz (prédio da Universidade Federal do Piauí)


Com o tema "Homo Cactus: Uma mostra da resiliência da cultura popular e da literatura oral nordestina", Antonio José Sales faz uma análise da obra, um livro com característica regionalista nordestina e com marcas da tradição oral. A apresentação do pesquisador foi consistente e objetiva, o que levou José Sales a ser bastante elogiado pela banca examinadora. 

O poeta, editor e professor Claucio Ciarlini marcou presença na apresentação, assim como o autor do livro, escritor Marcello Silva.







domingo, 6 de janeiro de 2019

Meu herói não veste capa

(a Otalício)

Meu herói não nasceu nas EUA. Não tem história registrada em quadrinhos e nem virou filme algum.
Meu herói não veste capa, mas, usa uma camisa surrada e suada pelo sol nordestino. Tem cheiro de suor típico dos deuses africanos.
Meu herói não tem visão de calor ou raio-x, pelo contrário, tem hipermetropia de mais de um grau.
Meu herói, feito de carne e osso, tem dor no peito de tanto capinar na roça e seus braços, ao anoitecer, latejam.
Meu Herói não usa máscara, tem suas rugas á mostra, sinal de sua humanidade.
Meu herói ronca, chora... Sente frio. Fica feliz com as chuvas de janeiro e triste com a estiagem de agosto. 
Meu herói... Ah meu herói, não sabes o quanto de metáforas te dedicaria...

SILVA, Marcello.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Oito invernos - Marcello Silva


Teu silêncio é o canto mais sublime que minha alma ouve, minha graúna, que alça voos infindos sobre as tardes tropicais. Tens no semblante observador todas as incógnitas do futuro e ainda assim, traz-me paz no instante presente em que rir, timidamente, entre dentes de leite e outros não (vão) .... Rir, rir no hoje, faz do agora seu voo rasante. 

Oito invernos já. Oitos chuvas. Oito sóis. Oito primaveras. E não era ontem que estava nos meus braços tão pequeninha? Tão frágil... Tão sem plumagem? E agora rabisca no tempo a própria imponência e seu próprio voo. “Veja pai, minhas asas. Já quero voar” 

Não. Não. Você é ainda minha pequenina graúna, querendo colo e com medo dos trovões. Meu peito sempre será seu ninho, quando você precisar vai está a sua espera, não importa a quantidade de invernos ou intensidade deles, estarei lhe aguardando para lhe agasalhar com minha própria pele, se preciso for. 

Lembro quando te peguei nos braços a primeira vez: tive medo de você se desmanchar nas minhas mãos. E como se eu segurasse a própria essência de Deus. Morri e renasci naquele infindo instante de alguns minutos, talvez. Esqueci razão, proporção, tempo, distância... qualquer conceito. Era só eu e você no universo multidimensional. Quando retornei a mim, eu ri... eu sorri deliberadamente e desde então eu sorrio para te ver sorrir. 

Das primeiras palavras pronunciadas; os primeiros passos; a primeira queda de bicicleta ao primeiro texto produzido ontem ou as resoluções matemáticas: é uma honra está ao seu lado e te auxiliar em seu processo de evolução neste plano, em seu voo pleno por estas planícies.... É uma dádiva, ave minha. 

Concluo parafraseando Jose de Alencar[1]: “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Cecília. Cecília, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da Jati não era doce como seu sorriso...”

SILVA, Marcello. 
P.S.: Texto dedicado a Maria Cecília Nunes Silva


[1] Escritor cearense (1829-1877). Autor do livro Iracema (publicado em 1865)

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Livro "Homo Cactus" é discutido no Clube de Leitura do Sesc Caixeiral


Nosso livro "Homo Cactus" (Editorial Hope, 2018) foi o livro escolhido para ser debatido no Clube de Leitura do Sesc Caixeiral. O encontro aconteceu dia sábado (03/11) em Parnaíba/PI, tendo como mediadora a professora e escritora Amparo Carvalho. 


Sob a supervisão da analista Camila Maia, o evento contou com a presença de escritores e admiradores das artes literárias numa conversa agradável em torno da obra. A mediadora Amparo Carvalho conseguiu, com mestria, destrinchar alguns enigmas no processo de criação dos contos, conforme confessou o autor. 

Assim, Homo Cactus, no salão nobre do prédio histórico da União Caixeiral, encontrou conforto de anfitrião. Seja na palhoça ou no salão, Homo Cactus trás consigo a estória e a memória de muita gente...

Comprar o livro Homo Cactus AQUI


sábado, 10 de novembro de 2018

Encontros literários com estudantes de duas Escolas Chavalenses...


Um sábado (20/10) de encontros literários com estudantes de duas Escolas Chavalenses...


Em um primeiro momento estivemos na Escola Luzia Cardoso Passos no Distrito de Carneiro e posteriormente marcamos presença na Escola Epitácio Brito de Oliveira na sede de Chaval/CE.

Agradecimento à Escola Luzia Cardoso Passos na pessoa de sua diretora Sara Carneiro e demais professores e amigos: Neidinha, Clecildo, Angelino, Cleber, Queriane, etc. Obrigado a Valéria Carneiro pelo arte em nossa homenagem.... ficou lindo! 

Na ocasião falamos um pouco sobre nossa trajetória estudantil (somos ex-alunos da escola citada) desde o ensino fundamental até o ensino superior. Quanto à literatura, fomos bastante questionados pelos presentes, desde O Pescador até Homo Cactus. Foi massa!

Gratidão à Escola Epitácio Brito: Direção, professores e estudantes que fizeram um evento lindo... Grato Jakelia Rocha, Dolores, Jailson, Adriana... Grupo Cearensês etc..

Lá, falamos um pouco mais sobre Homo Cactus. Expliquei aos presentes todo processo de criação da obra e ver nossos contos sendo interpretado em forma de peças teatrais não tem preço. Amamos o cordel releitura do conto "Homo Cactus". Galera deu um verdadeiro show nas apresentações..

Enfim... #Gratidao a todos !

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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

domingo, 14 de outubro de 2018

Livro Homo Cactus é lançado em Parnaíba/PI

Ocorreu na noite de ontem (13/10) o lançamento do livro “Homo Cactus” do escritor Marcello Silva. O evento de lançamento aconteceu no Café Concerto do Sesc União Caixeiral (Centro Cultural Reis Velloso) em Parnaíba/PI. 


A solenidade se iniciou com as boas-vindas de Camila Maia, analista de literatura do centro. Logo em seguida, o escritor Carvalho Filho fez a apresentação da obra aos presentes. Posteriormente, se iniciou o bate-papo com escritor Marcello Silva, mediado pela escritora Luana Silva. 

A cerimônia foi abrilhantada com música ao vivo, um repertorio de canções regionais, de Luiz Gonzaga, Alceu Valença até Zé Ramalho etc. As músicas foram interpretadas brilhantemente por Jailson Jr. e Kayt Marinho com apoio de Morgana Sales. 

Estiveram presentes escritores de Versania e da Academia Parnaibana de Letras, dentre outros literatos, além dos demais amantes da arte literária. Essa junção fez fluir o bate-papo em torna da obra “Homo Cactus” agora oficialmente lançada em Parnaíba e em breve estará disponível na biblioteca do Sesc Caixeiral. 

Ao final todos se confraternizaram em coffee break servido no espaço. Os registros fotográficos são da fotógrafa Anastácia Bandeira.



Veja todas as imagens do evento AQUI

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Ubatuba: deus de água


Não sei se aprendi primeiro a andar ou nadar; se corri primeiro nos pastos infindáveis entre carnaubeiras ou atravessei a nado as águas turvas do Ubatuba, o rio intermitente que passava no quintal da casa dos meus pais. O rio nasce na região serrana/norte cearense. Sua nascente fica próximo ao distrito de Ubatuba em Granja, daí seu nome. Desde a serra até seu desaguar na maré de Chaval, o rio percorre aproximadamente 60 km, passando por diversas comunidades, dentre elas a minha querida Poção (o próprio nome da comunidade remete ao rio, pois quando ele apartava na estiagem ficava uma grande poça, uma “poção”)

O Rio Ubatuba está ligado diretamente à condição de existência da comunidade Poção. Numa região que sofre com seis meses sem chuva (julho a dezembro) o rio se apresentou, durante muito tempo, como a principal fonte de água para subsistência da comunidade e a referência se o ‘inverno’ (conhecido regionalmente como período chuvoso que compreendem os meses de janeiro a junho) era bom ou não, mensurado pelo nível das cheias (vazão) e o mês que ele ‘desceria com água’.

Recordo os dias de ‘inverno’ que, ansiosos, esperávamos pela ‘água nova’ que desceria no Ubatuba. Bastava chegar janeiro que, a cada chuva a expectativa aumentava. O Cheiro de terra molhada sob os pés descalços na ribanceira do rio. As vezes ele aprontava com a gente e resolvia ‘descer com água’ a noite. Acordávamos com aquele barulho de água nas pedras ou nas moitas de oitis e de um só pulo descíamos as ribanceiras. Mas se tinha uma sensação indescritível era ver a água surgindo, aos poucos, no leito seco. Ver aquele filete de água ganhando vida e logo depois se tornar aquele deus de água, é algo que eu nunca saberei descrever com as minhas singelas metáforas.

Por duas vezes tive medo do Ubatuba: 

A primeira foi em 1998 quando ele rompeu a ribanceira e ameaçou derrubar nossa casa. Relembro a aflição de minha mãe e os familiares ajudando a recolher os animais domésticos; meu pai guardando as ‘coisas’ no alto do telhado. A água ficou a dois palmos do peitoril de tijolo cru. Na frente tinha (ainda hoje tem) um campo de futebol, lembro que ele ficou sob água, e onde nós passamos aquele dia brincando de bola. Toda comunidade parecia estar ali. Aquele dia foi louco (rsrs). Naquele ano mudaríamos de casa. Nos afastamos um pouco do Ubatuba. 

A segunda vez foi em 2009 quando se registrou a maior enchente da história do rio. Ultrapassou todos os limites imagináveis, causando estragos durante toda sua extensão: das serras granjenses às marés chavalenses. Casas, roçados, animais... foram devorados pela fome do rio. A casa dos meus pais ficava a quase dois quilômetros do rio, por detrás um morro e mesmo assim ele veio até perto, parecia que nos procurava. Ficou a cem metros, vomitando água e barro. Encarei seus olhos e tive medo. “Agua não tem cabelo” gritava minha vó.

Hoje resido a quase 100 km do Rio Ubatuba, porém quando possível retorno ao seu leito, não importa se cheio ou seco, preciso estar lá para recarregar meu espírito de criança que ainda corre por lá entre as pedras e as ribanceiras escorregadias. Essa rotina cheia de hora marcada vai aos poucos consumindo nossa criança. É preciso voltar no tempo, reviver boas lembranças para que não morramos de tanto ‘hoje’. É preciso reconectar a deus... ao Ubatuba. 


Marcello Silva, 2018

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

LANÇAMENTO DE HOMO CACTUS EM PARNAÍBA/PI SERÁ DIA 13 DE OUTUBRO DE 2018.


O escritor chavalense Marcello Silva lançará seu novo livro denominado "Homo Cactus" no próximo dia 13 de outubro do corrente ano, às 18h no Café Concerto no Sesc Caixeiral em Parnaíba/PI. Na ocasião ocorrerá um bate papo com o autor e música ao vivo.

O livro publicado pela Editorial Hope reúne contos com temática interiorana. Lendas, estórias e misticismo estão presentes na obra. (Saiba mais AQUI)

Marcello Silva nasceu em Chaval/CE. Além de escritor é formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Piauí e graduando em Direito na Universidade Estadual do Piauí. (Saiba mais AQUI)

Capa do livro Homo Cactus.

domingo, 16 de setembro de 2018

Escritores versanianos participam de Chá Literário da Escola Francisca Trindade II



Na noite da última quinta-feira (13/09) a Unidade Escolar Deputada Francisca Trindade II, localizada na comunidade Lagoa do Prado, zona rural de Parnaíba/PI, realizou a culminância de seu projeto pedagógico de incentivo à leitura com um Chá Literário.

Na ocasião do evento, foram convidados pelo professor Fábio Costa, os escritores Versanianos Jailson Junior, Joyce Cleide e Marcello Silva. Após a recepção calorosa dos alunos, a coordenadora Francisca Sousa apresentou os trabalhos textuais produzido a partir do livro Versania. Posteriormente houve a composição da mesa de honra e as apresentações das melhores produções dos alunos, os quais receberam medalhas pelos textos selecionados.

Os escritores presentes palestraram sobre a importância da literatura na vida cotidiana, bem como no auxílio do desenvolvimento escolar do estudante. Cada versaniano demonstrou seu contentamento com o evento ao observar os trabalhos produzidos pela escola.

Findados os discursos, a Escola presenteou os escritores com livros contendo os textos produzidos no projeto pelos estudantes. Os escritores, por sua vez, presentearam a escola com o exemplar da 2ª edição da coletânea Versania, Jornal O Piagui, além do um exemplar dos livros, O Pescador e Homo Cactus de Marcello Silva.

Um coffee break reuniu todos em confraternização ao findar do evento. 






Veja como foi o lançamento do livro Homo Cactus em Chaval/CE


O dia 25 de agosto, parecia um sábado normal na rotina da nossa cidade, porém não foi. Mar. Vento. Poesia. Foi a combinação perfeita para o lançamento do livro Homo Cactus, do chavalense Marcello Silva

No final da tarde, junto ao por do sol, na barraca Gamboas, localizada no Porto do Mosquito, universitários, adolescentes, crianças, idosos e moradores das cidades circunvizinhas se reuniram para um bate-papo literário sobre as tramas que Marcello desenvolveu em seu livro de contos.

O bate-papo foi mediado pelo escritor parnaibano Pádua Marques, membro da Academia Parnaibana de Letras. Também marcaram presença os escritores Alexandre César, Carvalho Filho e Antonio José Sales.




Segundo o escritor pernambucano Marcelino Freire, o poeta deve conseguir vestir as palavras que escreve, o escrito Marcello Silva em seu livro Homo Cactus além de nos vestir de muitas memórias, nos levou ao encontro da nossa cultura. Isso foi demostrado através da apresentação teatral do grupo Cearensês, formado por alunas do ensino fundamental da Escola Epitácio Brito, que dramatizou um dos contos presente no livro, que narra a história de uma benzedeira.


Durante o bate-papo, o autor nos contou sobre seu processo criativo e a escolha do título da obra. Segundo Marcello, Homo Cactus representa a força, a resistência do povo nordestino, que mesmo diante de toda dificuldade, consegue criar poesia. Cada conto presente no livro, traz a vivencia do autor quando criança, são estórias ouvidas no alpendre de casa, muitas delas narradas pelos avós.

Rasga mortalha, imburana, benzedeira, lobisomem, pau-d’arco, curral, casa de taipa. Cada palavra nos leva ao imaginário popular cearense; cada palavra nos leva para dentro do sertão cantado por Luiz Gonzaga e versado por Patativa; cada palavra reafirma a força cultural do sertanejo, que R.E.S.I.S.T.E  como um Homo cactus.




Escrito por Neycikele Sotero
Fotos: Olhares Fotografia

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Lançamento de Homo Cactus em Chaval/CE será dia 25 de agosto de 2018.


O escritor chavalense Marcello Silva lançará seu novo livro denominado "Homo Cactus" no próximo dia 25 de agosto do corrente ano, às 16h30 no Point Gamboas (barraca da Felitita) no Porto do Mosquito em Chaval/CE. Na ocasião ocorrerá um bate papo com o autor, música ao vivo e sorteio de livros.

O livro publicado pela Editorial Hope reúne quinze contos com temática interiorana. Lendas, estórias e misticismo estão presentes na obra. (Saiba mais AQUI)

Marcello Silva nasceu em Chaval/CE. Além de escritor é formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Piauí e graduando em Direito na Universidade Estadual do Piauí. (Saiba mais AQUI)

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Homo Cactus - por Pádua Marques

Me pego lendo Homo Cactus, livro de contos de Marcello Silva. E vejo que as coisas estão mudando pra estas bandas da coroa do norte do Piauí, da serra da Ibiapaba e na nossa literatura. Já não existem mais fronteiras e obstáculos entre o lado de cá e o de lá. Sem querer ficar remoendo o tempo passado e a velhice que vem se aproximando na ponta dos pés, no meu tempo era difícil ver e ler coisas novas e descobrir novos escritores um dia após outro.

A gente por mais que tentasse acabava caindo nos clássicos universais e nos medalhões da literatura brasileira, Machado de Assis, Fagundes Varela, Bilac, Coelho Neto, Humberto de Campos, esse último para nos aproximar com as particularidades de nossa terra. Mas gente nova mesmo, quando chegava, era sempre difícil de ser assimilada. Mas os tempos são outros e há uma gente boa e nova construindo pontes entre as culturas sem dar importância às dificuldades.

Certo dia me deparei com o livro O Pescador, de um rapaz nascido e criado no Chaval, Marcello Silva. Li e reli o livro dele de ponta a ponta e cá comigo calculei o pulo que ele um dia iria dar. Entre poesias e crônicas ele falava de sua terra e de sua gente, seus costumes, a infância boa no meio de riachos, praias, lagoas, a casa da avó e essas tantas coisas boas que nos passam pela vida. Apurei a leitura e descobri um escritor em crescimento. E ele não estava só e nem me decepcionou. Havia mais e mais outros iguais a ele.

Parece, desculpem a comparação, que estavam eles iguais brinquedos raros e peças de arte do Oriente, guardados numa caixa e que uma mão inquieta um dia iria abrir. Esta geração está prometendo e já está fazendo muito e mais rápido. São mais unidos e alegres que a minha geração. Podem unir a música à poesia, a crônica ao teatro, o conto ao cinema e tudo vai dando certo e ficando bonito igual às rendas e os bordados das mulheres do Ceará.

Mas falando em Homo Cactus, o autor Marcello Silva está no seu melhor momento. Nesta obra está toda a sua terra, seus costumes, medos, brinquedos, lembranças, os pais e os irmãos, sua primeira escola, as ruas de sua cidade, as conversas e as superstições. Bonito de ler a rudeza dos diálogos, a descrição dos homens e das suas igrejas e casas. É bonito e gratificante ler uma obra igual a esta. E a gente acaba viajando entre os contos, seus títulos, frases e as letras, por entre as veredas que ninguém nunca imagina onde vão chegar.


*Antonio de Pádua Marques Silva, da Academia Parnaibana de Letras.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Lobisomens e cangaceiros desfilam no nosso novo livro: Homo Cactus.


O escritor chavalense, radicado em Parnaíba, Marcello Silva, lançará no segundo semestre deste ano, seu mais novo trabalho literário. A obra em questão se trata do livro de contos denominado “Homo Cactus” que será publicado pela editora paulista “Editorial Hope”.

O livro trás estórias e lenda da vida interiorana. São 15 contos que se comunica com o tempo e o espaço rural. “Cresci ouvindo boa parte dessas estórias. Costumava ficar observando as conversas dos meus avós e anciões da comunidade onde eu morava. Prometi que um dia eu colocaria no papel” afirmou o autor.

Há mistérios e suspenses em quase todos os contos como, por exemplo, em "Cangaceiro Sem Face" onde numa vila um sujeito estranho e misterioso aparece em uma noite a procura dos bisnetos do rei do cangaço; "O Lobisomem de Santa Cecília" narra a estória de fatos estranhos ocorridos na Fazenda Santa Cecília depois do aparecimento do silencioso Manoel Redondo. O amor ganha faces nos contos "O Pecado de Maria" quando a narradora vai fazer um trabalho de campo da faculdade conhece dona Celeste e seus segredos; "Buk e as galinhas" relata a vida rotineira de dois eternos amantes. Angústia e fé nos contos "Canto do Urutau I e II" quando uma mãe ganha voz e evidencia sua dor e drama ao esperar a volta de um filho que saíra de casa há quase três décadas; "Menino Vaqueiro" baseia-se em fatos, onde narra a angustia e a fé de uma família ao procurar pelo filho pequeno que se perdera no sertão. Enfim, os demais contos seguem essa temática e estilo.

Para o escritor e jornalista Pádua Marques “É bonito e gratificante ler uma obra igual a esta. E a gente acaba viajando entre os contos, seus títulos, frases e as letras, por entre as veredas que ninguém nunca imagina onde vão chegar...”

Para o escritor e professor Carvalho Filho: “nas narrativas de Marcello Silva um universo de homens duros e práticos, embora suscetíveis à fantasia, vivendo em um mundo a um só tempo lógico e assombrado.”. Mais adiante continua o professor Carvalho “Suspense e misticismo são alguns dos elementos encontrados nos contos deste volume. Quanto ao espaço, a zona rural se destaca como cenário privilegiado.”

Por fim, ponderou a escritora Luana Silva: “Esse abraço nostálgico que Homo Cactus nos traz é espinhoso, porém necessário. Essa resiliência que inspira, é o símbolo do sertão!”

O livro “Homo Cactus” estará disponível em breve no site do Grupo Editorial Hope (https://www.editorahope.com/ ) e será lançado no segundo semestre em Parnaíba/PI e Chaval/CE. 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Mediando Clarice Lispector no Clube de Leituras do Sesc Caixeiral


A obra “Felicidade Clandestina”, da escritora Clarice Lispector, foi o livro escolhido do mês de junho para debate no Clube de Leituras do Sesc Caixeiral. O bate-papo ocorreu nesta terça-feira, dia 26, às 18h, no Centro Cultural. A mediação ficou por conta do escritor Marcello Silva, autor do livro O Pescador e Homo Cactus (lançamento em breve)

Estiveram presentes os componentes do Clube de Leitura, poetas do grupo Versania, O Piagui e demais admiradores de Clarice. O encontro foi supervisionado por Camila Maia, analista de literatura do Sesc Caixeiral.

Sobre a obra:


Publicado pela primeira vez em 1971, "Felicidade Clandestina" é um livro que reúne 25 textos (contos? crônica? ensaios?) da escritora brasileira Clarice Lispector - alguns já publicados anteriormente - sendo também o título do primeiro conto.


Os contos abordam assuntos como infância, adolescência e família, sem deixar de abordar as angústias da alma.

Como é comum nas obras de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes, das personagens e o enredo perdem a importância para a revelação profunda dos personagens (epifania).


Sobre a autora:
Clarice Lispector (1920-1977) foi uma escritora e jornalista brasileira, de origem judia, reconhecida como uma das mais importantes escritoras do século XX. "A Hora da Estrela" foi seu último romance publicado em vida.







quarta-feira, 20 de junho de 2018

Poesia na Escola Baby House em Parnaíba/PI


Uma tarde linda de poesia com as crianças da Escola de Ensino Infantil Baby House de Parnaíba/PI. Estivemos na unidade escolar a convite da professora Vitória Vanessa e fomos bem recebidos por todos, inclusive pela diretora Karol Rodrigues. Uma tarde de aprendizagens.

Estiveram presentes os escritores Marcello Silva, Claucio Ciarlini e Luana Silva. Na ocasião houve brincadeiras/interpretações em torno das poesias com temáticas infantis de vários autores nacionais (Cecília Meireles, Vinicius de Moraes, Roseana Murray etc...)

As obras O Pescador e Versania também estiveram presentes, bem como os jornais "O Piagui" e "Correio Literário".

sábado, 2 de junho de 2018

"O Pescador" no Corredor Literário do SESC Caixeiral em Parnaíba/PI


Com uma grande presença de púbico o Centro Cultural João Paulo dos Reis Velloso, o SESC Caixeiral, promoveu na noite dessa sexta-feira 1º de junho, o Corredor Literário, um encontro entre escritores e leitores para a venda e exposição de livros, conversas, recitais de poesias e atrações de teatro e musica. 

Estiveram presentes os escritores Claucio Ciarlini, Carvalho Filho, Marcello Silva, Morgana Sales, Leonardo Silva, Alexandre Cesar Mendes, Emanoel Carvalho, Daltro Paiva e Gustavo Rosal, componentes do Grupo Versania e do periódico cultural O Piagui; e ainda os escritores Ithalo Furtado, Jorge Barbosa, Dante Brito, Taís Fontenelle, Fabiana Santos, Patrícia Araújo, Ana Maria Castro, além da imprensa e de intelectuais. 

A Academia Parnaibana de Letras, parceira do SESC, esteve representada pelos escritores Alcenor Candeira Filho, que lançou o livro “Novas Páginas Parnaibanas”, Dilma Ponte de Brito, o secretário-geral Antônio Gallas Pimentel e o bibliotecário Antônio de Pádua Marques Silva. 

O presidente da APAL, José Luiz de Carvalho, impedido de comparecer por motivo de saúde, foi representado na ocasião pela acadêmica Dilma Ponte de Brito, que salientou a importância do evento e considerou a possibilidade de outros serem realizados em uma data ainda a ser combinada. 

A coordenadora do evento, Camila Maia, se mostrou satisfeita com o resultado deste primeiro evento e comemorou a interação entre os escritores, projetando futuros eventos de igual porte.





Fonte: APM Noticias/MarcelloSilva