terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Livro Homo Cactus é tema de artigo científico apresentado no Congresso Nordestino de Educação


O pesquisador, professor e escritor Antonio José Sales, de Luis Correia/PI, apresentou, no último dia 25 de janeiro, seu trabalho científico no Congresso Nordestino de Educação (CONED) que foi realizado em Parnaíba/PI. O trabalho de Antônio José Sales, tem por base o livro Homo Cactus (Editora Hope, 2018) do escritor chavalense, Marcello Silva. A apresentação ocorreu ás 11h na sala Raquel de Queiroz (prédio da Universidade Federal do Piauí)


Com o tema "Homo Cactus: Uma mostra da resiliência da cultura popular e da literatura oral nordestina", Antonio José Sales faz uma análise da obra, um livro com característica regionalista nordestina e com marcas da tradição oral. A apresentação do pesquisador foi consistente e objetiva, o que levou José Sales a ser bastante elogiado pela banca examinadora. 

O poeta, editor e professor Claucio Ciarlini marcou presença na apresentação, assim como o autor do livro, escritor Marcello Silva.







domingo, 6 de janeiro de 2019

Meu herói não veste capa

(a Otalício)

Meu herói não nasceu nas EUA. Não tem história registrada em quadrinhos e nem virou filme algum.
Meu herói não veste capa, mas, usa uma camisa surrada e suada pelo sol nordestino. Tem cheiro de suor típico dos deuses africanos.
Meu herói não tem visão de calor ou raio-x, pelo contrário, tem hipermetropia de mais de um grau.
Meu herói, feito de carne e osso, tem dor no peito de tanto capinar na roça e seus braços, ao anoitecer, latejam.
Meu Herói não usa máscara, tem suas rugas á mostra, sinal de sua humanidade.
Meu herói ronca, chora... Sente frio. Fica feliz com as chuvas de janeiro e triste com a estiagem de agosto. 
Meu herói... Ah meu herói, não sabes o quanto de metáforas te dedicaria...

SILVA, Marcello.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Oito invernos - Marcello Silva


Teu silêncio é o canto mais sublime que minha alma ouve, minha graúna, que alça voos infindos sobre as tardes tropicais. Tens no semblante observador todas as incógnitas do futuro e ainda assim, traz-me paz no instante presente em que rir, timidamente, entre dentes de leite e outros não (vão) .... Rir, rir no hoje, faz do agora seu voo rasante. 

Oito invernos já. Oitos chuvas. Oito sóis. Oito primaveras. E não era ontem que estava nos meus braços tão pequeninha? Tão frágil... Tão sem plumagem? E agora rabisca no tempo a própria imponência e seu próprio voo. “Veja pai, minhas asas. Já quero voar” 

Não. Não. Você é ainda minha pequenina graúna, querendo colo e com medo dos trovões. Meu peito sempre será seu ninho, quando você precisar vai está a sua espera, não importa a quantidade de invernos ou intensidade deles, estarei lhe aguardando para lhe agasalhar com minha própria pele, se preciso for. 

Lembro quando te peguei nos braços a primeira vez: tive medo de você se desmanchar nas minhas mãos. E como se eu segurasse a própria essência de Deus. Morri e renasci naquele infindo instante de alguns minutos, talvez. Esqueci razão, proporção, tempo, distância... qualquer conceito. Era só eu e você no universo multidimensional. Quando retornei a mim, eu ri... eu sorri deliberadamente e desde então eu sorrio para te ver sorrir. 

Das primeiras palavras pronunciadas; os primeiros passos; a primeira queda de bicicleta ao primeiro texto produzido ontem ou as resoluções matemáticas: é uma honra está ao seu lado e te auxiliar em seu processo de evolução neste plano, em seu voo pleno por estas planícies.... É uma dádiva, ave minha. 

Concluo parafraseando Jose de Alencar[1]: “Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Cecília. Cecília, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da Jati não era doce como seu sorriso...”

SILVA, Marcello. 
P.S.: Texto dedicado a Maria Cecília Nunes Silva


[1] Escritor cearense (1829-1877). Autor do livro Iracema (publicado em 1865)